Corrimento Infantil

A presença de corrimento genital na infância é uma fonte de preocupação para a maioria das mães. De fato, nesta idade, o corrimento não pode ser considerado fisiológico, ou seja, aquele decorrente de estimulação hormonal, branco, sem sintomas.

A maioria dos corrimentos nesta faixa etária é decorrente de um desequilíbrio da flora genital associado a hábitos de higiene (dificuldade na limpeza após evacuação, manipulação dos genitais com mãozinhas sujas, etc), e facilitado pelas condições anatômicas nesta idade. No entanto, embora menos frequente, o corrimento pode ter uma causa específica: como uma DST (infecção de transmissão sexual).

As meninas pré-púberes apresentam algumas particularidades anatômicas que favorecem a infecção genital, portanto, é muito importante ter conhecimento sobre os aspectos anatômicos da genitália infantil.

Como a criança ainda não tem estimulo hormonal pelo estrogênio, os órgãos genitais são desprovidos de pêlos pubianos, os grandes e pequenos lábios são atrofiados e, por conseguinte, há uma maior proximidade entre o ânus e a vagina, o que favorece a migração de germes provenientes do intestino. A vagina também fica vulnerável à entrada de corpos estranhos (grão de areia, pedacinho de papel higiênico, etc).

As vulvovaginites (infecções da vulva e da vagina) na infância se manifestam na forma de corrimento amarelo esverdeado, acompanhado ou não por coceira, assadura, ardência, e mais raramente ele pode vir com sangue.

As vezes o corrimento aparece num dia, e após medidas de higiene ele pode desaparecer, voltando em episódios isolados. Geralmente este tipo de corrimento não apresenta nenhum agente especifico envolvido, e por esta razão, o uso de sabonetes líquidos, com ação bactericida podem resolver.

Mas as vezes, mesmo a higiene adequada não é suficiente para melhorar o corrimento, e neste caso deve ser investigado qual a causa especifica. Para isso é preciso que a criança seja submetida a coleta de material vaginal.

Dra. Fernanda Rosa Delli Paoli

Graduada em medicina, formada em 2006, cursou o programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Pérola Byington no período de 2007 a 2009. Fez Pós-graduação em Oncologia Pélvica pelo Hospital Pérola Byington, em 2010. Realizou especialização em Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) pela Faculdade de Medicina do ABC e pela Faculdade de medicina da USP. Completou sua especialização com Pós-graduação em Sexualidade Humana pela Faculdade de medicina da USP. Em 2012 obteve o Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO e, em 2013, conquistou Título em PTGI e Sexualidade pela mesma sociedade.